Jogos Mortais… Orgulho e Preconceito…

Márcia, 25 anos, pele clara, cabelos negros medianos e lisos, peso ideal e altura compatível, gerente executiva da parte financeira de uma empresa de renome localizada próximo à Paulista e a Augusta. O tipo de mulher que muitas gostariam de ser, e que muitos adorariam ter.
Mas nada na vida é perfeito e auto-suficiente. Tudo existe em pares, sejam eles quais forem, assim como o dentro não existe sem o fora, ou o esquerdo sem o direito. Aquilo que pode ser perfeito por um lado certamente é cheio de imperfeições do outro. Ela não é diferente.
Por trás desta bela e bem sucedida jovem, há uma mulher cheia de desejos e vontades. O amor e o prazer até então nunca lhe foram apresentados, mesmo em seus relacionamentos anteriores.
Um dia chega ao escritório e o que se vê são só olhares dos muitos funcionários. A sala que antes de sua chegada era só convesas e risos, na sua presença se tornara silenciosa, apenas quebrada por alguns susuros ao fundo.
Sem entender porquê entra em sua sala, e se depara com o motivo. Jogada sobre a mesa, um cartaz seu, com uma foto provocadora, da época em que não estava na empresa. Esquecera que havia feito um ensaio para uma certa revista.
Atônita apenas se aproxima da mesa e analisa com calma, tentando se lembrar onde foi que falhara. Não entendia como aquilo havia saído de seu computador pessoal, ou quem havia retirado.
Pegou o cartaz e o enrolou. Colocou em uma pasta e saiu de sua sala, e novamente o mesmo silêncio agonizante. Envergonhada, não tinha coragem de encarar as pessoas, diante da vergonha da exposição, onde ao fundo ouvia-se claramente é ela mesmo, quem diria!?.
Depois disso, ao que se sabe, foi o pedido de afastamento.
Desejos são desejos, vontades são apenas vontades. Tê-los ou não é natural de cada um. Seria errado se todos soubessem? Até onde vai o orgulho diante de uma sociedade repleta de preceitos e preconceitos?




