Tremulidades Sentimentais… Versos soltos..
O amor é como um punhado de areia na mão.
Com sabedoria, pode-se criar um reinado.
Mas se a mão fecha demais, escorre pelos dedos.
E se aberta demais, voa pelos ares.
O amor é como um punhado de areia na mão.
Com sabedoria, pode-se criar um reinado.
Mas se a mão fecha demais, escorre pelos dedos.
E se aberta demais, voa pelos ares.
Uma pessoa muito querida me disse uma vez, com o toda a severidade possível, tal qual uma mãe pune sua criança. a época, eu não entendi muito bem suas palavras.
“Não se vive enterrado no passado, não se vive sonhando com o futuro.
Mas jamais se vive sem os dois.”
Devo admitir que ainda hoje, não sei o quão profundo elas são, ou pareçam que são. Ao menos até essa semana, quando decidi fuçar nas minhas velharias, atrás de não lembro o que.
Terça de manhã, troquei de roupa, coloquei uma máscara, o óculos e peguei a chave no armário indo até o quarto, cuidadosamente, como uma criança prestes a fazer besteiras.
O quarto em si estava sempre fechado e fica no fundo da casa, isolado o suficiente para que poucas pessoas notem sua real presença.
Chave na fechadura… Puxa um pouquinho e lá se vão duas voltas acompanhadas dum estalo comprido… Giro da maçaneta e surge outro estalo comprido…
Assim que entrei senti o pó subir com a brusca movimentação e vi o quanto deveria limpar aquele quarto, já que são anos e anos que ninguém o abre.
Com a janela aberta, a poeira foi baixando, e pude ver claramente algumas coisas do quarto. Lentamente fui invadido por uma exurrada de lembranças e recordações, que há tempos havia decidido trancar naquele quarto…
Lembranças boas e lembranças ruins… Doces e amargas, de festas e enterros, alegres e tristes, da infância e da adolescência, com parentes, amigos, ex-amigos…
Cartas e fotos que eu jurava ter jogado fora… Momentos que eu havia jurado esquecer… Tudo, novamente voltava para o seu devido lugar…
Atendendo um conselho de um amigo, “alguns mistérios, serão quebrados…”

Acordo cedo, olho pro lado. Aquele porção da cama continua vazia, o travesseiro ainda intacto, e o lençol com o mesmo cheiro de alvejante.
Levanto, desperto, tomo uma ducha. Atrás da porta, sempre uma toalha, acompanhada pelas minhas roupas. Sobre a pia, só o meu sabonete, a única escova de dentes e o perfume, único, solteiro.
Na cozinha a mesma bagunça, sempre composta de um único prato, duas panelas, alguns copos e dois talheres. Na garrafa, o café, que sempre sobra, frio, solitário.
Hoje o tempo é nublado, chuvoso, com leves e ardidos sopros frios. De certa forma, hoje, o dia e eu, estamos juntos, na mesma melancolia… E sem motivo algum…
Talvez… Tudo fosse mais fácil, se eu convivesse com ela… Mas não sei se quero… Ainda…
Depois de um tempo, sozinhos, ganhamos manias, defeitos, pequenos detalhes, únicos e indispensáveis, que nem sempre agradam outros.
Nessas horas lembro daquela noite, daquele apartamento, de tudo o que aconteceu… Seria tão bom se tudo fosse mais simples, mas a vida é complicada de mais por si só…
E eu… Nem sei por onde começar… Saudades daqueles momentos…
Respiro fundo e vejo pela janela… São Paulo amanhece… Hora de cair na rotina e fingir que está tudo bem…
Hoje estou imerso em melancolia. Talvez pelo tempo que frio que invadiu São Paulo desde a semana passada. Como consequência, hoje vui inconsequente, e faltei ao trabalho. Por besteira, admito, mas creio que algumas pessoas devem aprender a andar com as próprias pernas.
Com tempo livre, pude fazer diversas coisas, que há muito queria.
Cozinhei arroz a grega, filé ao molho madeira, purê de mandioquinha, creme de cebola com champignon, um verdadeiro banquete. Mas como quase sempre, acabei dividindo com os vizinhos. E depois, acabei por dormir novamente na sala.
Quando acordei, me senti sozinho, e resolvi encher o ambiente. Mexendo entre os meus cd´s e arquivos de mp3, me deparei com essa música, deliciosa aos meus olhos, e que agora deixo à vocês, enquanto termino meu dia.
Creiam ou não. Hoje eu me diverti.
Da varanda vislumbro todo o entardecer… Me delicio ao presenciar cada raio dourado se partindo em brisas suaves azuladas… Eis então que vem minha musa noturna… Chega em seu lindo vestido azul noturno, e me banha em sua aura branca, delicadamente…
E assim adormeci…
Horas depois, desperto e vejo… Já é dia e o gigante dourado me aquece em seu abraço, enquanto as pessoas andam calmamente pela rua, ignorando completamente a sua presença…
Mais uma vez me vi sozinho, solitário, sentado na varanda vazia… Onde estará você?