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Desventuras na Noite Paulista… Parte II

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Aquela sexta ainda me perseguia, direto e reto, sempre martelando nas possibilidades, com perguntas diversas, diretas e indiretas, repetitivas e seguidas, sempre com o mesmo núcleo comum, aquela senhorita e sua investida. Uma mescla constante, de pensamentos inconstantes, repletos de vontades e medos.

Eu sempre digo que se relacionar com alguém, é algo um tanto quanto complicado, por mais que eu me sinta sozinho às vezes. Não só pela perda de espaço em si, mas também por diversos outros fatores, onde o principal motivo é o medo constante de ser um fantoche movido por um dono que adora brincar de amores.

Mesmo não querendo, temendo pelas consequências, fossem boas ou ruins, ligar era uma opção. E depois de pensar muito, mas muito mesmo, após algumas noites não dormidas, e muita dor de cabeça, tomei uma dose de atitude e resolvi ligar. Esperei dar a hora do almoço, quando não teria ninguém próximo, juntamente com a quase certeza de que não iria atrapalhar. No segundo toque ela atendeu.

– Bom dia. Quem fala?
– Bom dia. Com quem quer falar?
– Descupa incomodar, mas eu não sei o nome da pessoa.
– Não estou entendendo. Você me liga e não sabe com quem quer falar?
– Olha! Estava no Fran´s e quando fui pagar a conta, me deram um papel com o seu telefone.
– Hum… Certo, compreendo. Achei que não me ligaria.
– Não ia ligar. Decidi faz cinco minutos. Um café hoje?
– Mesmo horário e lugar.

Ao desligar, sentia minha mão tremer, as pernas meio trêmulas. Odeio a sensação de incapacidade, já que sempre tive certeza de minhas escolhas, ao menos no trabalho. Mais tarde, quando dei por mim, me vi pensando em vontades e possibilidades, diversas e maravilhosas, que estavam trancadas para balanço, e que ali devem ficar por mais um tempo.

Quando a tarde caiu, literalmente, já que chovia, comecei a ficar ansioso. O nervosismo do primeiro contato causa sensações diversas, todas dignas de pena. Cheguei no mesmo horário, e sentei na mesma mesa da outra semana. Desta vez, pedi algo gelado, a garganta estava seca, e juntamente, o cinzeiro.

O nervosismo somada com a ansiedade causava um grande desconforto, fazendo com que eu mudasse de posição toda hora. Isso começou a chamar a atenção das pessoas, e de certa forma me incomodava notar olhares. Foi então que decidi pegar uma revista e fingir uma leitura concentrada.

Ela chegou dez minutos depois, desta vez com o cabelo preso, batom vermelho cereja, traje formal azul, com uma pequena bolsa preta sobre seus braços. Novamente, linda, intocável, enquanto eu ainda me perguntava o que eu fazia ali. Ela tomou a iniciativa e fez o pedido.

De início, foi me jogando uma lista enorme de perguntas sobre quem eu era, o que eu fazia, pensava, gostava. Eram tantas as perguntas, que mais parecia uma entrevista para alguma escritora fazer a minha biografia. Eu tentando me sentir mais confortável, fui respondendo todas, e rebatendo as mais interessantes e possíveis, sendo estas apenas metade respondidas.

Em um certo momento eu não me segurei, e fui bem curto e direto.

– D. O que você viu em mim, para me convidar para sair?
– Nada de mais. Apenas fiquei curiosa em te conhecer.
– Ainda não compreendo.
– “Os olhos são o espelho da alma”, e os seus são lindos, mas completamente tristes.

O comentário me abalou. Tantas vezes que vim e nunca fui notado, e em uma simples noite, alguém vê algo que passa despercebido, por assim eu querer. Mas não deixei transparecer, fingi ser um comentário qualquer e tentei continuar a conversa.

Mais tarde, bem tarde por sinal, pedi a conta, e como de praxe, iria paga-la. Realmente iria paga-la, se ela não tivesse arrancado a caderneta da minha mão, colocado o dinheiro e entregue para a atendente. Foi tão rápido que chegou a ser engraçado.

Caminhamos por cerca de dez minutos, quando a deixei no ponto. Estava de carro, ainda ofereci carona, poderia deixa-la mais perto, mas recusou e disse que assim preferia. Tão logo a deixei e o ônibus chegou. Acenei com a mão e já ia embora.

De repente, ela me chama, e quando me viro………

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O que veio depois não vem ao caso, mas deixo para vocês imaginarem o que quiser. rs.

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  1. Si
    março 10, 2008 às 12:38 am

    O post fluiu e, quando dei por mim, já estava imaginando a continuação.

    Muito, muito bom.

  2. fevereiro 17, 2008 às 10:30 pm

    Então tá.
    Tô pensando o que quiser, heinnn! ´:)

    E que bom que tenha tomado uma atitude também.
    Muitas vezes deixamos ótimas oportunidades (e pessoas) escapar(em) simplesmente pelo medo. Ou nem por ele, pelo descaso mesmo.

    Mas continuando com meus pensamentos… Parece ter sido bom, hein!

    beijoca.

  3. fevereiro 15, 2008 às 10:24 pm

    Uau! q bom q vc se decidiu pela atitude! rs
    aposto como nem doeu, muito ao contrario!
    Espero q o depois tenha tirado o brilho triste do seu olhar!
    Beijos e otimo fim de semana!

  4. fevereiro 15, 2008 às 4:19 pm

    Gostei de ver!
    Gostei ainda mais dela. rs
    Mulher “de peito”.
    Que o depois que eu pensei se repita.

    Beijos e bom final de semana.

  5. fevereiro 15, 2008 às 4:05 pm

    Isso ai tem acontecido muito ultimamente. Faz três meses que aconteceu parecido comigo…ela foi, voltou e me beijou.

    E se tudo depois foi como eu imagino, mesmo que ela tenha simplesmente entrado no ônibus, o que parecia triste em seus olhos com certeza mudou e com certeza ela percebeu. Isso na pior das hipóteses.
    O que me parece é que novos encontros serão marcados, novos cafés tomados e outros beijos serão roubados e o que veio depois virá de novo…

    Grande abraço.

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