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Palavras ao Vento… Um meio….

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– Vai mesmo embora sem falar comigo?

O que veio a seguir, foi uma mistura de surpresa e admiração. Surpresa pela atitude simples de apresentação, sem vergonha ou dúvida, sem a incerteza de ser ou não a pessoa por quem esperava, e, admiração pelo sorriso gracioso que apresentava uma mesca de felicidade e ansiedade.

– Mariana?

– Claro! Não passou pela sua cabeça ser eu ali sentada?

– Desculpe, pelo horário eu pensei que você não viria…

– Hum… Faz uns vinte minutos que eu cheguei. Como você não me viu, e como eu estava com vergonha, fiquei rabiscando o papel, esperando que você viesse falar comigo. Como vi que você iria embora, resolvi (com dificuldade) falar com você.

– Não imaginei que fosse você. Pelo horário imaginava que você nem viria. E pelo tempo que eu esperei, já ia embora.

– Não costumo faltar em encontros…

Ao terminar a frase, sentiu o peso do que disse. Seus rostos, o dele e o dela, imediatamente coraram, em um vermelho intenso, impossíveis de não notar. A vergonha foi tanta que ela mal conseguia encará-lo, e ele, vice-versa.

O que veio a seguir foi um silêncio fúnebre de duas pessoas desacostumadas ao contato um com o outro. Ele imaginava que suas últimas atitudes eram apenas estupidez, ela se condenava pelo que havia dito, ambos estavam interessados no que viria a seguir.

Minutos depois, quando finalmente conseguiram se olhar, ela parecia nervosa com as mãos apertadas junto a bolsa, mas ainda apresentava aquele sorriso… E ele, ainda corado, finalmente puxou novamente a convesa, enquanto a caminhava para o proximo metro.

– Bom… O que gostaria de fazer? Deixo que você escolha.

– Eu queria ir à Paulista e passar pela livraria ver algumas canetas, daquelas metálicas. Depois passar pela Liberdade, dizem ter umas canetas diferentes por lá… Quer dizer, isso se vc puder…

– Por mim não tem problema algum…

A viagem até a consolação, durou cerca de cinco longos e silensiosos minutos, com direito a olhares disfarçados, e quando cruzados, pequenos desvios imprecisos que acabavam por gerar rostos corados por ambos os lados.

Quando finalmente chegaram, havia muitas pessoas para entrar e subir na estação. Em meio ao tumulto, instintivamente ele a segurou pela mão, puxando-a delicadamente enquanto a protegia dos desesperados que entravam no vagão.

Ao sair do vagão, se entreolharam, e somente ai que percebera que ainda a segurava pela mão. Ela apenas lhe retribuiu com um sorriso, enquanto ele envergonhadamente se desculpava.

– Desculpe, eu…

– Não precisa. Você me protegeu, isso foi muito carinhoso da sua parte.

– Bom… Em que lugar você gostaria de ir? Eu conheço mais ou menos a região.

– Ah… Vamos andando. Vamos descobrir juntos…

Caminharam então para a escada rolante, onde havia uma grande quantidade de pessoas que se aglomeravam tanto para subir como para descer. Deixou que ela fosse na frente, subindo logo atrás, segurando-se no corrimão do lado oposto.

De repente, a escada rolante deu um tranco, e ela se desequilibrou. Antes que os dois pudessem perceber, ele a pegara pela cintura e seus olhos cruzaram penetrando profundamente um ao outro. Suas bocas agora a poucos centimetros de distancia, a respiração acelerada e ritmada era convidativa ao toque, os braços à cintura já não eram uma questão de segurança, e sim uma desculpa.

No entanto a escada rolante já estava chegando ao final, e pelo toque e sinal da pessoa as costas do casal, o clima se perdera, fora quebrado completamente. Os braços antes à cintura agora seguravam novamente o corrimão.

Novamente não conseguiam se encarar. As perguntas de um, agora eram apenas respondidas com palavras curtas e singulares, quando não o contrário.

Ao sair da estação novamente o tumulto se apresentava, agora para atravessar a grande Rua Augusta. Pessoas iam e vinham, freneticamente, dominando a rua onde os carros que vinham da Av. Paulista esperavam pacientes por sua vez. Quando o semáforo da Augusta então abria, era a vez dos carros. Ninguém mais se colocava à frente, aguardando impacientemente junto à calçada.

Os dois então se juntaram a multidão. Ele ainda pensou em segurar a mão dela, ainda lembrava da sensação e lembrou de tantas noites em que sonhou com isso. Mas ela instituitivamente estava com a mão junto a bolsa, olhando para os lados com receio de alguem a assaltar.

Instantes depois o sinal abriu para os pedestres, que agora, como uma tropa indo a batalha, ia de frente aos outros que esperavam do outro lado. As pessoas avançavam pela rua, tentando desviar de uns e, sem querer, acabar trombando com outros que vinham a frente.

O casal, como todos a volta, avançavam com muita dificuldade pela rua. Tentavam desviar dos que davam, e as vezes paravam para que outros pudessem passar.

Ele já a aguardava do outro lado da rua, e ela vinha junto a alguns outros que vinham apressadamente. O sinal da Paulista já estava aberto, de modo que dois carros já aguardavam para descer a Augusta.

De repente veio um rapaz moreno correndo pela Augusta, tentando aproveitar o sinal. Quando o primeiro carro avançou um pouco, este encurvou o corpo para o lado, trombando com Mariana, que já estava chegando a calçada.

Cristian instituitivamente a puxou pelo braço. Ambos olhavam para trás vendo os carros descendo a rua, enquanto o rapaz moreno já havia sumido no meio do povo.

– Você está bem? Não se…

Foi então que ela puxou seu pescoço. Quando deu por si, houve o primeiro beijo. A todos a cena se apresentava apenas como mais um casal no meio da multidão. Para ele, era o primeiro beijo, o início de tudo, e ele apenas estava curtindo cada momento.

Ainda naquela tarde, passearam pela Paulista, tomaram um lanche e ao início do fim da tarde, estavam na Liberdade. Pela primeira vez, ele conseguia passar tanto tempo com alguma garota. Ela por sua vez, ainda mantinha aquele mesmo sorriso, agora apresentando não mais ansiedade mas sim afeto.

Continua…

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  1. Delayla Taylor
    janeiro 9, 2010 às 1:55 am

    MAISSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Da sinal de vida também tá ingrato, ou se esqueceu dos pobres?

    Bjus!

  2. janeiro 7, 2010 às 12:46 am

    OIS… Tudo bem?
    me add no meu msn novo d.lilayamamoto@hotmail.com
    bjs

  1. julho 13, 2010 às 6:50 pm
  2. julho 13, 2010 às 6:48 pm
  3. julho 13, 2010 às 6:46 pm
  4. julho 13, 2010 às 6:45 pm

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