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Palavras ao vento… Triste Verdade…

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– Quer ir para sua casa ou para a minha?

– Para falar a verdade, acho que precisamos conversar….

A primeira impressão gerada pela frase dita foi um onda gélida passando pela espinha de Cristian, do pescoço ao coccix, logo após se tornando uma mescla de medo e surpresa que se apresentava em sua face, agora demonstrando claramente seu espanto, acentuada pelos olhos arregalados olhando firmemente de encontro aos olhos dela. Não sabia o que dizer, não sabia o que pensar, nem ao menos sabia se queria ouvir o que ela tinha para conversar. Após alguns longos cinco segundos ela apenas olhou para o lado e continuou…

– Sinceramente, sábado passado, foi a melhor experiência que tive até hoje. Mas… Acho que fomos precipitados.

– O que você quer dizer com isso?

– Não devíamos ter chegado ao ponto onde chegamos. Estamos namorando há um mês e já tivemos relações. Não sei como pude fazer isso.

– Calma… Espera… No dia ainda perguntei se era realmente o que você queria. Eu nem esperava por isso mas foi você quem me puxou para lá.

– Cristian! Eu entendi bem? Você está me culpando?

– Não, eu não estou diz…

– Chega! Eu já estava chateada pelo ocorrido. Agora você me culpa?

– Espera! Calma! Deixa eu fal…

– Já disse chega!

As pessoas à volta apenas olhavam a cena, enquanto os dois nem ao menos notaram o que ocorria à sua volta. Ela estava nervosa e com os olhos serrados, e em um movimento brusco levantou a mão à altura do rosto de Cristian, este surpreso pelo gesto.

Instantes depois, ela baixou a mão, virou o rosto para o lado e sussurrou.

– Olhe… Eu….

Os olhos de Cristian, ainda arregalados de surpresa, agora se tornavam ligeiramente umedecidos, agora indo de encontro direto aos dela. Ela estava alterada, sabia, mas nada podia fazer, o que foi feito não pode ser apagado.

– Olha… Acho melhor terminarmos o namoro. Não estou me sentindo bem com a situação.

– Eu não quero terminar.

– Eu quero! Não consigo parar de pensar onde chegamos. Acho que fomos longe de mais e…. Nem consigo olhar para você direito.

– Mas…

– Estou indo embora…

Ela lhe deu um abraço, um beijo terno no rosto e caminhou para a ponta da estação, entrando no primeiro metrô que passou. Ele, estava catatônico, não conseguia pensar, não conseguia andar, ficou preso naquele momento.

Quando deu por si, estava no banheiro de um bar perto de sua casa, imerso em lágimas, e, pelas garrafas vazias, já havia se embebedado.

Dias depois ainda estava angustiado. Agora o antes bem humorado estagiário, era apenas mais um, amargurado, trabalhando por obrigação, sem vontade. Esquecer nunca é fácil, mas para ele, era a única alternativa. E para ele era uma tarefa mais árdua ainda, pois trabalhava com o pai dela.

Dias depois, ele já estava mais calmo, já havia se conformado com a situação.  Não havia esquecido completamente, mas já não doía tanto quanto no começo.

O fim do estágio já estava próximo e no meio da conversa com os outros estagiários, decidiu ir a um bar-balada, próximo ao Tatuapé. Não estava muito à vontade, mas sabia que não iria encontrar seus colegas tão facilmente. Movido pela saudade que sentiria deles,  resolveu ir.

Entre uma cerveja e outras bebidas mais, conseguiu se alegrar diantes de tantas promessas e objetivos expostos pelos seus colegas. Ainda se lembrava, desde o começo do estágio estavam presentes e por um momento sentiu uma pequena fagulha, mescla de alegria e diversão.

Foi então que, sentado de onde estava, viu  Mariana entrar no bar. De início se segurou, mas inquieto com a situação, resolveu levantar e ir até ela. Nem se aproximou muito e, viu, diante de seus olhos, Mariana beijando um outro rapaz.

Novamente ficou catatônico com o que viu. A dor do impacto de ver a cena era diversas vezes maior que a lembraça daquela despedida na estação.

Foi então que ela o viu e diante da situação apenas sorriu, caminhando em sua direção. Quando chegou bem perto fingiu avançar a dar-lhe um beijo mas ele recuou.

– Dói? Hum… Deve doer sim… Você se envolveu de mais…

– O que você queria afinal? Precisava disso tudo? Precisava me machucar tanto assim?

Ela então soltou uma gargalhada chamando a atenção de algumas pessoas à sua volta. O rapaz a quem beijava ria junto. Então cuidadosamente pegou em seu queixo, como uma mãe brincando com seu filho. Segundos depois, largou e foi caminhando para a porta, acompanhada pelo outro rapaz, este sempre rindo. De lá apenas gritou para que Cristian ouvisse claramente…

– Algumas pessoas colecionam selos, outros copos… Eu coleciono virgems!

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  1. agosto 24, 2010 às 12:34 am

    E ??? rsrsr

  2. agosto 22, 2010 às 4:34 pm

    Seráque me comovi porque por vezes este sentimento é comum a todos nós ? Sensível e adorável texto. Retorne !

  3. Jéssi
    julho 20, 2010 às 4:10 pm

    Referente ao que disse antes “final já conhecido por todos”, estou querendo dizer sobre sempre ter esse lance de brincar com os sentimentos dos outros e o fato que muitos ainda brincam com a “virgindade” de outros que dão valor. Você não precisa escrever uma longa história,eu não disse isso, disse que a história pode vir a melhorar cada vez mais, e não simplesmente (não sei se você ainda pretende dar continuidade a esta história)deixa lá com um final em que o outro não tem vez.

    Alec: Acho que já disse isso, mas vou frisar novamente. Esta é uma história real, excetuando os lugares e nomes e por isso, não me dou o direito de mudar a história. Contudo, entendo o seu ponto de vista e (como eu já disse antes), quem sabe da próxima vez. Sobre o tamanho dos contos, tento não me extender de mais, e aquelas que tem um algo a mais, sempre deixou em aberto. Este não é o caso deste conto.

  4. Jéssi
    julho 19, 2010 às 4:01 pm

    Jéssi :Sim é baseada em fatos reais, isso é algo que pode ser visto todos os dias, porém acredito que vc poderia dar continuidade, p/ não ficar simplesmente em um final já conhecido por todos,pois o que se gosta de ler é algo que nos faça refletir em como pode se dar uma volta por cima, sem pisar em ninguém, diferente do caso da Mariana.

    Alec: Tenho minhas dúvidas quanto ao “final já conhecido por todos”, mas respeito sua opnião. Entretanto não é do meu interesse escrever uma história tão comprida, ao menos aqui. Quem sabe uma próxima vez.

  5. Jéssi
    julho 14, 2010 às 3:55 pm

    Nossa ñ acredito q esperei tanto tempo p/ ela dizer isso.
    Eu ate imprimi todos e montei um pequeno livrinho p/ ler tudo, ñ gostei do final.
    vc escreve bem, mais esse final poderia ter vindo um pouco melhor.

    Alec: Não há porque o final ser diferente. Afinal, essa história é baseada em fatos reais.

  6. julho 13, 2010 às 11:50 pm

    Fiquei presa ao texto do início ao fim, ótima e envolvente escrita. Fiquei perplexa com o choque do final… mas gostei! Parabéns pelo blog, gosto da sua escrita.

  7. julho 12, 2010 às 10:02 pm

    Nossa, quanto tempo hein?
    E que palavras triste, que forte…fiquei angustiada!
    Você escreve muito bem! 🙂
    Bjos

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